Poema: Autópsia do Tédio
Morte com Rosto Limpo
O meu tédio não é ausência de fazer,
É ausência de sentir,
É olhar para o mundo
Como alguém que olha para uma parede branca,
Sabendo que já viu tudo,
Mas sem saber se quer ver mais.
É o suspiro que não vem,
A conversa que já nasceu morta,
O tempo que escorre,
Sem cor,
Sem sabor,
Sem direção.
Mora nos dias repetidos,
Nas risadas obrigadas,
A serem lembradas,
Nos corpos que se tocam,
Por obrigação, não por desejo.
É o funeral da alma
Sem música,
Sem vela,
Sem lágrima.
É o cemitério dos meus sentidos,
A apatia com perfume caro,
A morte escondida,
Em rotinas elegantes.
E por isso o meu tédio é perigoso,
Porque me mata em silêncio,
Sem deixar rastros.
Me mata antes da morte real,
Sem que ninguém perceba,
Que já fui embora de mim.
POEMA de: Tarck Chaquir

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Profundo
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